Supernatural 1x20 – Dead Man’s Blood
Colt.
Tem duas
coisas que eu não gosto em “Supernatural”:
vampiros e John Winchester. Exibido originalmente em 20 de abril de 2006, “Dead Man’s Blood” é o vigésimo
episódio da primeira temporada de “Supernatural”
e, ainda que não seja um dos meus episódios favoritos nem nada, eu reconheço a
sua importância porque a) ajuda a expandir a ideia de diferentes caçadores que
se conhecem e se especializam em diferentes tipos de criaturas; e b) apresenta
uma arma que é supostamente capaz de matar
qualquer coisa, inclusive o demônio que matou Mary e Jess. Estamos entrando
na reta final dessa temporada de “Supernatural”
e, agora, John Winchester está por perto, porque ele precisa da ajuda dos filhos, embora ele siga sem contar muita
coisa para eles.
A conturbada
relação de Sam e John é um tema recorrente dessa temporada. Antes de John sumir
e Dean buscar Sam para se juntar a ele na caçada que iniciou a série, Sam e o
pai tiveram uma briga feia cujas consequências ainda podem ser sentidas… e eu
entendo perfeitamente as feridas de Sam. Apesar da pose de bad boy, Dean sempre foi o menino bonzinho que obedecia ao pai sem
fazer perguntas, enquanto Sam queria
respostas – e ele não vai aceitar que o pai se junte a eles novamente e volte
a tratá-los como se eles fossem crianças que não podem saber das coisas como
elas realmente são. Se eles vão fazer isso juntos, ele quer respostas, e eu
confesso que mexe comigo ver esse Sam
gigante que confronta o pai sem o medo que Dean secretamente tem.
É difícil
falar sobre “consertar” relações, mas o episódio é importantíssimo para a
relação de Sam e John, e funciona em paralelo com outros episódios que vimos
anteriormente. Sam já percebeu que, querendo ou não, agora ele é parte disso e
voltar à sua “vida normal” é praticamente impossível, mas ele precisava daquele momento de sinceridade
com o pai – e é bom ver John Winchester finalmente se abrindo, como nunca
fizera antes. Ele fala sobre como a morte de Mary o transformou, e sobre como ele deixou de ser pai dos meninos para ser o
seu treinador. Ele também confessa ao filho o motivo pelo qual agiu como
agiu quando Sam quis deixar a vida de caçador para trás para ir para a
faculdade: na verdade, ele teve medo por
pensar no Sam sozinho e desamparado.
Feridas não
fecham de um dia para o outro – mas é importante que haja algum movimento nesse
sentido, e esse episódio o é. Quando um caçador é morto por um grupo de
vampiros, John, Sam e Dean entram em uma caçada perigosa contra uma criatura
que, até então, Dean acreditava não
existir de verdade, e pode ser a caçada mais importante deles desde o
início da temporada, porque envolve conseguir colocar as mãos na Colt, uma arma
lendária que foi fabricada há muito tempo e que supostamente é capaz de matar qualquer coisa,
inclusive criaturas sobrenaturais… inclusive o demônio responsável pela morte
de Mary e de Jess. Por isso é tão importante localizar esses vampiros, e por
isso é tão importante conseguir barganhar
com eles de alguma forma.
Não é uma
caçada tradicional – nem em intenção nem em resolução, e essa é a parte de que
mais gosto do episódio. Os vampiros de “Supernatural”
são apresentados em um conceito que utiliza algumas das coisas mais
tradicionais do mito, como os dentes afiados e a sede por sangue fresco,
enquanto descarta outros, como o medo do sol, embora eles realmente tenham o
hábito de dormir durante o dia e caçar durante a noite. O principal
veneno para vampiros, segundo John Winchester, é sangue de morto, e é assim que eles conseguem “envenenar” um membro
do grupo para usar como elemento de barganha, mas a única maneira de matar um
vampiro de verdade é cortando a sua
cabeça. Portanto, o episódio traz algumas cabeças que são cortadas fora.
Quando
encontram uma maneira de se entender e trabalhar juntos, os três Winchesters
têm um plano, mas que não é necessariamente seguido à risca – em algum momento,
eles precisam improvisar, e Sam e Dean deliberadamente desobedecem a ordens
diretas de John, o que pode até ser questionado pelo pai mais tarde, mas apenas
porque essa “desobediência” salva a sua
vida… é um episódio de transição importante que enfim mostra para John que
Sam e Dean não são mais crianças e não devem ser tratados como tal. Todos
eles estão juntos em uma mesma caçada, e embora John anseie por proteger seus
meninos e, por isso, deseje que eles “fiquem de fora”, ele precisa reconhecer
que eles são mais fortes como família.
E, por isso, agora seguirão juntos.
Eles enfim
têm em mãos algo que pode fazer toda a diferença. Até então, talvez eles não tivessem
a arma de que precisavam para matar o demônio responsável pela morte de Mary e
de Jess, mas a Colt muda tudo. Gosto particularmente da cena em que a Colt é
“testada”. O confronto final contra os vampiros daquele clã, que é o clímax do
episódio, traz um imprevisto quando a vida de Sam é colocada em jogo e, com
isso, a oportunidade perfeita para testar
a eficácia da Colt e a veracidade da “lenda” ao mesmo tempo em que a vida de
Sam é salva pelo pai: gosto da dramaticidade do tiro da Colt que mata Luther de
maneira cinematográfica, e da satisfação no rosto de John ao perceber que o que disseram é verdade… ele enfim
poderá matar aquele demônio.
E, assim,
chegamos ao arco final da temporada!
Para mais
postagens de uma revisita a “Supernatural”,
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