Supernatural 1x18 – Something Wicked

“I don’t like it, but it’s gotta be the kid”

FITCHBURG, WISCONSIN. Exibido originalmente em 06 de abril de 2006, “Something Wicked” é o décimo oitavo episódio da primeira temporada de “Supernatural” e Sam e Dean Winchester estão lidando com um caso misterioso de crianças que estão ficando doentes e uma criatura que John Winchester não pôde deter há alguns anos. Com um delicioso clima de mistério e suspense acentuado pelas cores e pela trilha do episódio, naquele gostinho de primeira temporada de “Supernatural”, o episódio é uma viagem interessante não apenas para o presente dos Winchesters, mas pela memória de Dean, que lida com uma culpa sobre a qual ele nunca falou com ninguém, nem mesmo com o próprio pai, embora talvez tenha mudado a relação deles.

O hospital da cidade visitado por Sam e Dean está cheio de crianças em coma, cujas vidas estão se exaurindo lentamente. Do lado de fora da janela da última criança “doente”, a marca escura de uma mão, que é não apenas a prova de que eles estão, sim, lidando com algo sobrenatural, mas Dean já sabe até qual é a criatura, porque o pai trabalhou no mesmo caso quando ele ainda era criança. Conforme o caso avança, memórias vão retornando a Dean, enquanto o pai saía nas caçadas e ele ficava responsável por cuidar de Sam, obrigado a crescer rápido demais, da mesma maneira que Michael, o garoto da pousada na qual eles estão ficando, que cuida do irmão mais novo, Asher… e que vai ter que lidar com o irmão sendo afetado também.

A criatura em questão é uma Shtriga, que se alimenta de Spiritus Vitae de crianças, e eu gosto de como “Supernatural” explora lendas e criaturas nesse início de série. Aqui, temos as shtrigas, que costumam se passar por humanos e assumem figuras que são consideradas inofensivas, como velhas senhoras – e é por isso que existem tantas histórias de bruxas se fantasiando de velhas “inofensivas” em contos de fadas. Dessa vez, no entanto, a shtriga não está se passando por uma velha senhora (embora o Dean olhe com suspeita para uma no hospital e isso nos renda a cena mais engraçada do episódio), mas por outra figura de confiança, alguém que jamais levantaria suspeita… O MÉDICO RESPONSÁVEL POR CUIDAR DAS CRIANÇAS.

É o disfarce perfeito!

Dean descobre o Dr. Heidecker em uma foto com outros médicos tirada em 1893, e Dean sabe que não pode alertá-lo, embora seja angustiante o ver passando a mão no cabelo de Asher enquanto tranquiliza Johanna, a mãe, dizendo que ela não precisa se preocupar e que tudo ficará bem. Dean sabe, por experiência, que shtrigas ficam mais vulneráveis quando estão se alimentando, e ele sabe que eles costumam vir por todos os irmãos – então, se Asher foi pego na noite passada, a shtriga virá em busca de Michael nessa noite, e eles podem usar o garoto como isca… é curioso que seja o Dean a sugerir isso e o Sam a se mostrar relutante, mas a ação de Dean é parcialmente motivada pela culpa que ele sente há anos… e cuja história agora ele compartilha.

Quando John Winchester estava lidando com a shtriga no passado, Dean ficou responsável por cuidar do pequeno Sam e não deixá-lo sozinho no quarto em nenhum momento… ele saiu, no entanto, para se divertir um pouco e, quando retornou, a criatura estava sugando a força vital de seu irmão – visualmente, é muito parecido com a representação dos dementadores em “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”. Dean estava se preparando para atirar na criatura quando o próprio John chegou, e embora ele tenha conseguido salvar o filho, ele não conseguiu matar a shtriga… Dean fala sobre como o pai nunca falou sobre isso com ele, mas passou a olhar para ele de modo diferente, o que é ainda pior. E por culpa dele outras crianças foram atacadas…

John poderia ter acabado com isso.

Por isso, ele resolve contar toda a verdade a Michael, pedir sua ajuda e deixar que ele decida… e pode parecer uma história mirabolante, mas Michael viu alguma coisa na noite anterior e, portanto, está inclinado em acreditar nele – e ele faria qualquer coisa para proteger e salvar o seu irmão. O clímax do episódio acontece durante o novo ataque da shtriga, com tiros que não são decisivos e um ataque direto ao Sam… e é aí, vulnerável enquanto se alimenta, que Dean consegue matar a shtriga e acabar com essa caça de uma vez por todas. Ele finaliza o que não pôde no passado, e a satisfação está exposta no seu rosto. Johanna anuncia que Asher ficará bem, assim como as outras crianças, e ela nunca saberá o que aconteceu de verdade… mas Michael sabe.

Aqui, inclusive, temos um diálogo interessante entre Sam e Dean – afinal de contas, essa acabou sendo uma história muito pessoal para ambos. Sam lamenta que o Michael saiba da verdade, que ele tenha visto o que viu e que ele saiba, agora, que monstros existem de verdade, porque ele sabe que ele nunca mais será o mesmo… e ele fala sobre às vezes querer ter aquela inocência de não saber o quanto essas coisas são reais; e Dean fala sobre como ele também gostaria que o Sam não tivesse perdido essa inocência. Essa é uma vida que lhes foi negada, e esse é um tema recorrente em “Supernatural”, e um tema eterno. Mesmo quando percebe que essa é sua vida e não pode fugir dela, parte de Sam ainda gostaria de ter uma vida… normal.

 

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