Peach Lover – Ep. 6

“Am I ready to get hurt?”

Eu acho que esses dois últimos episódios foram mais lentos em termos de narrativa de modo geral e, portanto, ficam aquém dos primeiros episódios da série, mas eu continuo gostando demais de “Peach Lover”. É um episódio, quiçá, diferente. Absurdamente sensual, talvez com a cena quente mais intensa entre os protagonistas, e com momentos de fofura e de tomada de consciência, o episódio me conquista de verdade por causa de um vídeo gravado por Po, depois de ele e Sasom terem transado no ateliê de arte, no qual ele fala sobre seus sentimentos, que vão além do que ele descobriu sentir por Sasom, mas coisas que ele aceitou sobre si mesmo. Esse é aquele momento na vida de uma pessoa LGBTQIA+ em que conquistamos a liberdade de sermos quem somos.

No início do episódio, Po ainda está tentando entender quem é o Sasom, porque às vezes sente que não o entende por completo – ele é um astro famoso de TV, uma pessoa conhecida no mundo do pornô gay, um homem gentil e querido quando está com ele, e alguém poderoso o suficiente para ajudar na exposição de um caso e na prisão de alguém como forma de ajudar o Po. Ele se apaixonou sem notar… agora já é tarde demais. Mais do que um rosto bonito e famoso na capa de uma revista, Sasom está preocupado em ajudar as pessoas e, mais do que isso, em o ajudar e o proteger. Então, depois de ver notícias enviadas por seu amigo, Po resolve ir para Singapura de surpresa para falar com Sasom, e os dois compartilham cenas incríveis.

São muitos momentos, muitos sentimentos, muitas sensações. Toda a cena da banheira é íntima, bonita e excitante do início ao fim – e gosto de como Sasom escapa do estereótipo ao se preocupar em dar prazer ao Po… o fato de a cena consistir apenas em Sasom masturbando o Po é o marco para mim. Mas Sasom está começando a “ter dúvidas”. Ele anuncia, ainda não para o próprio Po, que ele não quer mais gravar com ele… ironicamente, isso tem a ver com o fato de ele ter desenvolvido sentimentos sinceros por Po e temer que tudo o que Po quer é gravar vídeos com ele. O que, se você me perguntar, parece um pouco dramático, mas não vou entrar em detalhes… até porque fica bastante claro, quando eles passam dias afastados por trabalho, o quanto um quer o outro.

Em todos os sentidos.

Nos dias em que não se veem porque Sasom está distante envolvido em gravações, eles compartilham mensagens, fazem chamadas de vídeo, até o momento em que Sasom consegue um dia de folga e devolve o favor, aparecendo de surpresa para passar um tempo com Po, intensificando aquela relação que nenhum dos dois planejou de verdade, mas na qual já estão plenamente envolvidos. Gosto de como a série consegue mesclar a sensualidade e a reflexão. A maneira como Po lambe e morde o pêssego oferecido por Sasom, com provocação constante em seus olhos, deixa qualquer um excitado… antes de eles partirem para o que sabemos que eles partidão, mais cedo ou mais tarde, no entanto, eles têm uma conversa interessante…

Sasom quer saber o que Po sentia ao assistir ao Peach Lover, quer a sua visão de antes de o conhecer de verdade, e Po fala sobre como ele gostava da maneira como ele tratava seu “Peach”, como ele mesmo se imaginava naquele lugar e queria ouvir o Peach Lover dizer aquelas coisas para ele, no seu ouvido, e como ele se apaixonou de uma maneira quase obsessiva. Sasom, então, fala sobre ele mesmo e sobre como ele é alguém que se grava fazendo sexo para outras pessoas assistirem e como mostra o rosto do seu parceiro, mas não o seu próprio, e se pergunta o quanto isso fala sobre si mesmo… Po o acolhe, no entanto. Antes do sexo, eles seguram a mão um do outro e os seus olhos encontram a alma da pessoa à sua frente…

Talvez nunca tenha tido uma cena tão íntima entre eles, e essa é basicamente a cena que eu estava há muito tempo esperando, embora os hots de “Peach Lover” SEMPRE tenham sido muito bons. Eu gosto de como existe sentimento e existe essa conversa sincera que antecede, e eu gosto de como a cena não é uma constante provocação, mas nos permite acompanhar todo o período de efetiva penetração, até que ambos atinjam o orgasmo. Pode parecer uma bobagem, e eu adoro a sutileza e a sensualidade que nos conduzem até o momento do sexo, mas eu sentia que “Peach Lover” precisava nos entregar, ainda, essa cena, esse momento do contato íntimo – a bunda lindíssima do Sasom em seus movimentos, a velocidade, os gemidos de Po…

Aquilo é real, é palpável!

E tudo isso se mostra surpreendentemente revelador para o Po: ele costumava sentir vergonha dos seus sentimentos e dos seus desejos, mas agora ele entende, finalmente, que o prazer sexual não é motivo de vergonha… é uma linguagem que permite que eles se comuniquem sem utilizar palavras. Po aceitou a parte dele que ele costumava temer e que considerava “estranha”, e a fala dele no vídeo que ele grava depois do sexo tem um peso enorme. Não foi apenas excitante e prazeroso, mas também bonito e essencial para que Po chegasse a conclusões… e uma delas é sobre o medo que ele ainda sente, e que está relacionado, agora, ao medo de um dia o Sasom olhar para ele apenas “como mais um Peach que veio e foi embora”.

Ele é “só mais um Peach” ou alguém de fato importante para o Sasom?

 

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