In a Heartbeat (2017)

Primeiro amor?

ABSOLUTAMENTE FOFO, EMOCIONANTE E BELO – “In a Heartbeat” foi um verdadeiro fenômeno. Lançado em 2017, o curta-metragem de animação de apenas 4 minutos sobre um garoto e o seu crush em um colega de escola fez um sucesso estrondoso na internet na época, marcou o coração de muitas pessoas com sua sensibilidade e beleza e chegou a ser considerado para indicação ao Oscar e, embora não tenha ficado entre os selecionados, recebeu uma série de outros prêmios, inclusive no HollySchorts Film Festival por Melhor Curta LGBT+.

Parece um trocadilho dizer isso, mas o grande encanto do curta é que ELE TEM CORAÇÃO. É a sua leveza, a sua diversão, a sua sensibilidade, além de questões técnicas inegáveis: é, visualmente, uma animação lindíssima do início ao fim… a beleza nas escolhas de cores, no conceito e no movimento dos personagens, tudo em uníssono para a construção de algo marcante. “In a Heartbeat” é uma animação sem falas, mas cheia de história, de sentimento e de reconhecimento. Enquanto adulto e gay, o curta me dá a sensação de “Eu queria ter visto isso mais novo”.

Sherwin é um garoto que, como tantos de nós, tem um crush… o seu crush é outro garoto da mesma escola, chamado Jonathan, e o seu coração o busca incessante e insistentemente – literalmente. A história protagonizada pelos garotos e pelo coração antropomórfico de Sherwin é uma fofura sem fim. Quando ele quase é avistado por Jonathan, ele se esconde atrás do galho de uma árvore, mas o coração dispara até sair do peito e então ele vai até Jonathan, fazendo com que o Sherwin faça de tudo para conter o próprio coração enquanto se aproxima do garoto.

É doce e singelo, e também melancólico e real. Os olhares, o julgamento e o preconceito de outras crianças aos dois brigando pelo coração nos corredores da escola fazem com que o coração se parta em dois: uma parte fica com Sherwin, outra com Jonathan. E, mais tarde, Jonathan o encontra sozinho e chorando atrás da árvore onde tudo começou, devolve a parte do coração que ficara com ele e o traz de volta à vida… então, ele se senta ao seu lado e o seu próprio coração se torna um reflexo do de Sherwin, com o sentimento sincero compartilhado entre eles.

E é aqui que os deixamos.

“In a Heartbeat” é sobre o direito de se apaixonar, de demonstrar e de viver… muitas pessoas LGBTQIA+ tiveram inúmeras experiências negadas ao longo da vida. Eu nunca vivi um romance na escola, por exemplo, e beijei um garoto pela primeira vez aos 19 anos. Por que a sociedade nos nega coisas tão básicas que não são negadas aos demais? E quando falamos sobre coisas que nos são negadas, não é apenas o primeiro romance de escola, o primeiro beijo… é o respeito, é a tranquilidade de andar sem medo de ser julgado, é se enxergar na mídia que consumimos…

Gosto demais dessa animação, e eu acho fascinante como ela conta uma história completa e tão rica em apenas quatro minutos! Ela tem fofura, ela tem romance, ela tem diversão, ela tem drama, ela proporciona o sentimento de catarse – e, principalmente, ela permite que a audiência se enxergue naqueles personagens, ela promove representatividade. Pode parecer um eufemismo, mas eu a coloco dentre as obras LGBTQIA+ essenciais por conversar com sua audiência, por ser destemida e por ter o coração no lugar certo. Sua sensibilidade e delicadeza têm, ironicamente, uma força aterradora.

Um curta que mexe com a gente!

 

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